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domingo, 13 de novembro de 2011

Eu não me acostumo!


"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. 
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos 
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. 
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. 
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz. 
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. 
A tomar café correndo porque está atrasado. 
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem. 
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar. 
A sair do trabalho porque já é noite. 
A cochilar no ônibus porque está cansado. 
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. 
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos. 
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz, 
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. 
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. 
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. 
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa. 
E a fazer filas para pagar. 
E a pagar mais do que as coisas valem. 
E a saber que cada vez pagará mais. 
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes. 
A abrir as revistas e a ver anúncios. 
A ligar a televisão e a ver comerciais. 
A ir ao cinema e engolir publicidade. 
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. 
A luz artificial de ligeiro tremor. 
Ao choque que os olhos levam na luz natural. 
Às bactérias da água potável. 
A contaminação da água do mar. 
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, 
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. 
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui, 
um ressentimento ali, uma revolta acolá. 
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. 
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. 
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo 
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. 
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se 
da faca e da baioneta, para poupar o peito. 
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta, 
de tanto acostumar, se perde de si mesma."

Marina Colasanti

P.S.: Podem-me tirar feriados, podem-me depenar aos poucos e poucos, mas eu não me acostumo!!!
Imagem retirada daqui, neste blogue
P.P.S.: Não sei donde saquei isto, por isso que me perdoe a pessoa a quem eu "roubei" a inspiração! :-)

domingo, 16 de outubro de 2011

Blog Action Day 2011 - Comida...


Hoje é o Dia Mundial daComida, um dia instituído pela ONU e cujo tema, este ano, é “Preços da Alimentação – da crise à estabilidade”. 
Hoje é também o BlogAction Day (#BAD11)– o dia do ano em que blogueiros de todo o mundo blogam sobre um mesmo tema. E, obviamente, este ano é a Comida!

E aqui vou eu dar a minha contribuição.
“E que vai ela escrever sobre comida?”, perguntam vocês e muito bem.
“Olhem…, ainda não sei!”, respondo-vos eu! Ando há dias a pensar como abordar um tema tão importante mas tão vasto como este e, honestamente, ainda estou às aranhas.
Sendo mãe, mulher com excesso de peso, técnica de saúde, dona-de-casa a desenvolver os seus dotes culinários, cidadã portuguesa que incentiva o consumo local e nacional como medida de combate à crise lusa, cidadã mundial ecoconsciente e em transição para a Transição, pensei em tantas e tão diversas formas de abordar este tema que não consegui escolher…

Como mãe, pensei escrever sobre a importância da nutrição na infância - da importância do aleitamento materno (que se deve manter o máximo de tempo possível, como relembra a OMS), da diversidade de cores, texturas e sabores no prato (para prevenir esquisitices que, infelizmente, surgem sempre!), do controlo da ingestão de gorduras e açúcares (para evitar obesidade – flagelo mundial, até nas crianças –, diabetes, problemas articulares, de fertilidade, etc.), do quão inadequado é consumir “snacks” e refeições pré-preparadas (não só pelo menor valor nutricional comparativamente a comida feita em casa, como pelo possível uso de matérias-primas de má qualidade e de produtos trangénicos e/ou que não foram produzidos de forma biológica/ecossustentável) e de como as crianças devem ter noção de onde vem a comida (não só pelo valor da aprendizagem em si, mas também para terem noção do impacto que a alimentação tem nos ecossistemas, especialmente o consumo de carne ).
Também pensei descrever o quão divertido é pô-los a semear e a plantar os seus próprios vegetais (feijões, cenouras e tomates crescem super-bem num vasinho pequeno - e até parecem legumes gourmet!) e o orgulho que se vê nos seus olhos quando os colhem e os vêem no seu prato prontos a comer! E quando ajudam a cozinhar? Aí é que é fabuloso pensar que, depois de ter posto para lavar os aventais nojentos e limpo a cozinha toda(!), se pode saborear um bolo ou umas bolachas preparadas em família!!! :-D

Como mulher e, ainda por cima, com excesso de peso, pensei escrever sobre a importância de uma alimentação equilibrada. Não só sobre a nova Roda dos Alimentos (que já eliminou alguns erros do passado) e a importância e benefícios da dieta mediterrânica, mas também da componente social (qual é a divisão da casa onde toda a família se junta em alturas de festa? A cozinha, claro! E se não é, é só porque os arquitectos não pensam nisso quando desenham os apartamentos, pois esquecem-se/bloqueiam as suas raízes!) e emocional/espiritual (para quem não tem problemas com a comida, isto pode parecer um exagero, mas quem come mais/menos quando está chateado/deprimido, percebe de certeza! Leiam o livro “Mulheres, Comida e Deus” da Gennen Roth, é muito bom!) da alimentação.
E também sobre a alimentação nas diferentes fases da vida de uma mulher: o mais completa possível na infância, e adolescência, menos energética na vida adulta, como mais cálcio, ferro e outros sais minerais na pré-menopausa e muitas vitaminas e antioxidantes na terceira idade.

Como técnica de saúde, pensei escrever sobre o aspecto fisiológico da comida, a sua necessidade para darmos nutrientes às nossas células – os tijolos do nosso corpo - para funcionarmos correctamente, de cortarmos bem a comida, a mastigarmos adequadamente e comermos com calma (por forma a facilitar a digestão), sobre as alterações fisiológicas que advém do seu consumo em excesso - pe: dilatação gástrica - e em falta - alterações a nível reprodutor, perda de massa muscular, etc…) e da importância dos nutrientes (como as proteínas são importantes para os músculos, os hidratos de carbono - açúcares complexos - são importantes para termos energia, os minerais e as vitaminas para todo o organismo!).
Ía também referir como devemos ser moderados no consumo de gordura, sal e açúcar (usar como acessórios, não ingredientes principais!), não só a bem do coração, tensão, diabetes e afins, mas também para sentirmos os sabores do que comemos (café sem açúcar sabe a café, mas com açúcar já não tem o mesmo sabor, certo?!?) – além de que, com muitas ervas aromáticas (mais uma vez, semeadas num vasinho perto da janela, nem que seja da sala! É biológico e bom para o ego!!!) e meia dúzia de condimentos, a comida sabe MUITO melhor! :-)

Como dona-de-casa a desenvolver os seus dotes culinários, pensei escrever sobre a organização da despensa e do congelador/arca frigorífica e como congelar alimentos, sobre como aproveitar os restos de comida para fazer novas refeições, as ementas semanais (algo simples mas tão útil na gestão do lar e do orçamento familiar!) e as refeições vegetarianas cada vez menos esporádicas nas ditas ementas, sobre as compotas e outras formas de aproveitar frutas e legumes da época (e como dão óptimas prendas de Natal em tempo de crise) e sobre as vantagens dos cozidos e grelhados sobre os fritos.
Também ia falar sobre os chefs (verdadeiros artistas que criam obras de arte para os sentidos quase todos – sim, porque não se sente o sabor sem cheiro, metade do prazer está em ver a comida bonitinha e ouvir alguém mastigar com prazer a comida que nós cozinhamos até aquece a alma!) que inspiram a malta lá de casa, como o Jamie Oliver e as suas refeições de 30 minutos que dão na SICMulher (daí a necessidade das ementas semanais e da organização da despensa e do congelador/arca) e a Mafalda Pinto Leite com as suas refeições económicas e rápidas e as suas dicas para compras, já para não falar do "Garfo Mágico" da Dina e dos seus bolos fenomenais!!!

Como cidadã portuguesa que incentiva o consumo local e nacional como medida de combate à crise lusa, pensei escrever sobre as vantagens nutricionais, económicas, ecológicas e sociais de consumir produtos locais e nacionais.
Nutricionalmente, iria, por exemplo, referir as vantagens de consumir mel local como medida de combateàs alergias, as vantagens da cozinha tradicional portuguesa (porque a tradição ainda é o que era!!!) que, apesar de ter muitos pratos “pesados”, é muito equilibrada e um bom exemplo de dieta mediterrânica!
Economicamente, iria, por exemplo, explicar como o nosso dinheiro deve circular no meio onde habitamos e trabalhamos (género moeda local), para garantir a vitalidade económica dos meios em que nos inserimos, e não andar a ser desperdiçado na importação de produtos que são produzidos no nosso país ou que estão fora de época (que implicam estufas para protecção das intempéries, gastos com aquecimento e rega, e, muitas vezes, produtos químicos para protecção contra pragas)…
Ecologicamente, iria, por exemplo, explicar como polui muito menos um produto produzido localmente (que não viaja de avião ou de navio dum continente para o outro - qualquer um a funcionar a combustíveis fósseis e a poluir pelo caminho – e que, para isso ser possível sem se estragar os produtos, são colhidos verdes e amadurecidos artificialmente durante o transporte e, como tal, não têm metade do sabor – comparem uma banana da América do Sul com uma da Madeira, mas daquelas que vêm em caixa e não em saco plástico para as grandes superfícies, porque o dito saco, além de poluir, serve para as amadurecer artificialmente!!!), além de permitir uma melhor gestão dos recursos locais e diminuir a desertificação, os fogos florestais, etc…. 
Socialmente, iria dissertar sobre o quão importante é valorizar a comunidade em que nos inserimos, apoiando os empregos dos nossos vizinhos e amigos, valorizando o seu trabalho e dignificando a sua vida, além de reforçarmos os laços na comunidade (como é bom ir à mercearia da Dª Emília e saber que é fruta fresca da horta deles e de produtores locais que compram todos os dias no mercado, e como o pão-de-forma integral é cozinhado por encomenda para nós pelo Sr. Fernando da padaria!)…

Como cidadã mundial ecoconsciente e em transição para a Transição, com a consciência de que a Transição é o caminho a seguir (claro que, primeiro, as pessoas precisam fazer uma transição interna, mudar a sua forma de ver as coisas, para que seja mais fácil - e definitivo, sem reversão - mudar a nossa forma de agir, mas, depois disso, a partilha será o caminho!!!), e que a Permacultura é a base para a (r)evolução agrícola que nos permitirá, aos poucos, recuperar as bases da nossa economia e a da nossa sociedade em equilíbrio com a Natureza e sem desperdício de recursos (começando pelo aproveitamento dos espaços vazios, como as nossas varandas, terraços e jardins empedrados)! Por isso pensei escrever sobre como é bom produzir a nossa própria comida, como é importante aprender sobre as espécies silvestres comestíveis (flores, bagas, cogumelos, etc.) e suas propriedades terapêuticas, sobre os chás medicinais e como mastigar folhas de certas plantas podem curar laringites (lá vem a costela de técnica de saúde), sobre como é possível aproveitar “lixo” para fazer um canteiro, como é bom poupar água regando as plantas com água das chuvas e “cinzentas” que armazenamos, e como é fácil fazer compostagem em casa (aproveitando grande parte do lixo orgânico que produzimos - daquele que não dá para reciclar - e diminuindo drasticamente a nossa pegada ecológica).

Mas depois comecei a pensar na pobreza extrema e em quem não tem o que comer…, no desperdício que se vê por todo o lado (basta pensar que cerca de um terço dos alimentos produzidos mundialmente vão para o lixo!)…, na tacanhez dos líderes mundiais que pensam apenas com os bolsos e com uma mentalidade de curto prazo e não se apercebem que estão dependentes doutros países para a sua própria subsistência e que, em breve, a situação pode ser incomportável…, em como é impossível comer algo 100% livre de poluição, pois os químicos dum lado do continente viajam com o vento para o outro…
Então decidi que não ía escrever só abrangendo uma vertente da comida, mas sim várias, tantas quantas pudesse. No entanto, ficaria com um testamento imeeeeeeeeeeeeeeeenso e ninguém tem pachorra para isso, certo?
Daí o meu dilema…

Mas, agora que vejo o que escrevi, acho que fica bem assim. Parece-me completo e, ao mesmo tempo, leve. Como uma boa salada, temperada com um pouco de azeite e mais nada. Bom apetite! :-)

imagem retirada daqui

P.S.: E como aperitivo, que tal darem arroz a quem mais precisa enquanto se divertem aqui?
E há mais formas de ser solidário aqui! ;-)

domingo, 9 de outubro de 2011

“Escrever ou não Escrever… eis a Questão!”

- Mamã, vai começar. Anda ver! – diz Rebeca enquanto aumenta o som do monitor com um simples toque no vidro interactivo e, com outro, activa as legendas.
Senta-se no sofá de dois lugares, logo seguida da mãe que esfrega as mãos no avental.
 – Acabo de fazer o almoço mais tarde. – disse Maria de si para si, enquanto se aconchegava com a filha no sofá.
Ladeando o monitor estão duas janelas que deixam vislumbrar o Danúbio, mas mãe e filha ignoram o maravilhoso rio, concentrando-se no programa de TVNet.

Rita Bem-Escrita (RBE) - Bem-vindos a mais um programa “Escrever ou não Escrever… eis a Questão!”, onde entrevistamos grandes vultos da Literatura Nacional.
Hoje connosco temos a célebre escritora Sónia DaVeiga, um nome incontornável da literatura portuguesa contemporânea, com mais de uma dezena de livros publicados sobre os mais variados temas, um dos quais recomendado pelo conceituado Clube de Leitura da Oprah.
Seja bem-vinda Sónia.
Sónia DaVeiga (SDV) - Obrigada Rita, é uma honra poder participar num programa tão importante da TVNet nacional e ser entrevistada por si.
RBE – Muito obrigada.
Vamos então começar pelo início: o que a levou a começar a escrever?
SDV – Acho que não foi “começar a escrever”, mas antes “dar-me espaço para escrever”. Comecei a tirar tempo para escrever mais do que apenas pequenos textos em blogues e pequenas participações aqui e acolá, a dedicar-me a um género de escrita que me permitisse englobar muitos dos meus interesses mas, simultaneamente, fosse agradável de ler, até divertido. Sempre senti necessidade de escrever e, finalmente, consegui descobrir uma maneira de o fazer bem e ainda ganhar dinheiro com isso! [risos]
RBE – Apesar de os seus livros serem extremamente baratos…
SDV – Sim! Foi um compromisso que fiz comigo mesma: desenvolver a minha capacidade de síntese, aligeirar a leitura, para que o livro fosse fácil de ler - atraindo um público que não gosta de “calhamaços” – e barato, tanto para as editoras como para o público final. É sabido que os livros não são considerados um bem de primeira necessidade e não é possível pedir ao cidadão comum que pague tanto por um livro como pagaria pela alimentação de uma semana inteira ou mesmo de um mês!
RBE – Realmente, a crise provocou uma alteração no mercado livreiro e cada vez mais as editoras optam por pequenos contos ou livros práticos em detrimento da literatura propriamente dita. Os seus livros são um caso à parte pois englobam um pouco de tudo, apesar de serem curtos – não ultrapassa as 100 páginas, creio…
SDV – Exactamente. O meu limite de escrita – já com espaçamento e tamanho de letra que permitam a sua leitura por pessoas com deficiência visual – é de 100 páginas, o que equivale a 20 páginas de um volume d’ “Os Maias”, por exemplo. A ideia é precisamente conseguir condensar o máximo de informação útil numa fábula divertida, com muita crítica social e optimismo à mistura. Nem sempre é fácil e dá vontade de escrever muito mais, mas o meu crescimento na arte da síntese permitiu-me seguir este caminho e está a ser muito gratificante.
RBE – Mas porquê só aos 42 anos o primeiro livro publicado?
SDV – Até aos 20 anos andamos num turbilhão, nos 20 somos o turbilhão, nos 30 começamos a amainar e nos 40 temos finalmente a calma de espírito e a confiança necessárias para uma empresa deste género. Temos que ter uma óptima consciência de nós próprios para descobrir o género que nos distingue dos outros e que demonstra a nossa singularidade, para escrever bem e, apenas nessa altura, podemos aspirar a ganhar a vida com algo que nos dá prazer e que, esperamos, ajude os outros a ter uma visão melhor da vida.
RBE – A maturidade é óbvia nos seus textos, mas temperada com uma candura e uma diversão que roçam o infantil. Como é que consegue esta mistura tão invulgar?
SDV – Ter filhos ajuda-nos a ver o mundo com outros olhos, uns olhos mais simples e objectivos, que nos permitem distinguir muito mais facilmente o fútil do útil. Explicar um conceito complexo a uma criança é óptimo para colocar as coisas em perspectiva. Além disso, sempre que tenho um livro novo quase pronto, passo-o pelo crivo dos meus críticos mais ferozes – os meus filhos – e eles ajudam-me a conseguir tirar a parra e a ficar com a uva.
RBE – Algo que caracteriza a sua escrita é precisamente o uso frequente de ditados e dizeres populares.
SDV – Sim, acredito piamente que a tradição oral portuguesa deve ser mantida, preservada como o tesouro que é. A língua viva é permanentemente mutável, haverão sempre mais e mais acordos ortográficos e estrangeirismos a entrar nos nossos dicionários, mas a tradição ainda é o que era e muita sabedoria reside nos contos tradicionais, e em especial nos ditados e dizeres populares. Claro que isso torna os livros muito mais difíceis de traduzir, mas não se pode ter tudo…
RBE – Isso não impediu que o seu sétimo livro, o “Nando, o nandu, e a grande corrida” fosse um sucesso de vendas no estrangeiro, tendo sido recomendado pela Oprah como “um livro ligeiro que tem muito que ler e aprender”. A referência à competição aguerrida pelos alimentos e pela água que se vê hoje em dia um pouco por todo o mundo – em grande parte devido às alterações climáticas – e à atitude de “enfiar a cabeça na areia” que os países mais desenvolvidos teimam em manter, foi aqui magistralmente abordada como uma fábula ligeira e agradável de ler.
SDV – Muito obrigada… Realmente esse saiu muito bem. Os meus dois críticos quase não tiveram o que apontar logo na primeira leitura. [risos]
Foi uma honra ver o livro recomendado um pouco por todo o mundo e, em especial, pela Oprah – a sua influência como ícone mundial é notória e as vendas dispararam depois disso -, mas foi também muito gratificante o caminho até esse ponto. Colaborei com tradutores do mundo inteiro para facilitar a tradução e essa colaboração estreita permitiu-me aprender vários contos, dizeres e ditados tradicionais de todos os continentes, bem como perceber quais os assuntos que mais preocupam os povos em diferentes partes do mundo. Isto tornou muito mais fácil a adaptação das obras em cada país e a internacionalização das fábulas seguintes – há muitos pontos em comum, mas as especificidades culturais são muito importantes no meu trabalho. E já que não posso passar umas temporadas a morar noutros países e continentes, essa interacção foi preciosa.
RBE – A emigração continua a não estar nos seus planos, apesar da dificuldade de recuperação da economia nacional e da carga fiscal que recai sobre os cidadãos e em especial sobre os artistas?
SDV – Ainda não. Com a eleição duma mulher para o cargo de Primeiro-Ministro e um independente na Presidência da República, creio que a esperança na recuperação da nação ganhou um novo fôlego e isso faz-me querer continuar a contribuir e não saltar do barco. O próximo livro é precisamente sobre isso: perseverança, confiança e aceitação da mudança necessária.
RBE – Para quando está prevista a sua publicação?
SDV – No início do próximo mês, espero que a tempo da comemoração do dia da República.
RBE – E qual é o título?
SDV – Não posso divulgar ainda – é segredo de Estado! [risos]
RBE – Ficamos a aguardá-lo ansiosamente, Sónia.
Bem, como o tempo para o nosso programa é limitado, peço-lhe apenas que deixe aqui umas palavras para quem ainda não publicou um livro e quer fazê-lo.
SDV – Pensem no que vos difere dos demais, no que faria alguém abdicar duma refeição para vos ler. Pensem no tipo de livro que sonham escrever ou já escreveram e descrevam-no. Vejam o que tem de único e aperfeiçoem essa técnica. Quando vocês reconhecerem a vossa própria escrita num texto que escreveram há anos e do qual já nem se lembravam, saberão que descobriram o vosso cunho e que estão prontos para publicar. E não desistam dos vossos sonhos! Nunca!
RBE – Muito obrigada Sónia pela sua visita e pela partilha connosco.
SDV – Obrigada eu!
RBE - Da nossa parte é tudo por hoje. Cá vos esperamos para mais um programa “Escrever ou não Escrever… eis a Questão!”. Até para a semana.

- Mamã, quando sair o próximo livro dela, compras-me? – diz a pequena, encarando a mãe.
- Sim minha linda. Eu também gosto muito de os ler. – aprendera a falar devagar e a pronunciar as sílabas bem abertas para ajudar com a deficiência auditiva da filha. Em alemão era mais difícil, mas como bilingue desde nascença – Hans respeitava a ascendência lusa de Maria -, Rebeca dominava ambas.
- Gosto tanto de ler coisas em português e sobre Portugal…
- E eu gosto muito que tu gostes, liebchen. É bom que queiras saber mais sobre o meu país e a minha cultura! – afagou o cabelo da filha e levantou-se, dirigindo-se para a cozinha.
Pensou na amiga que vira pela última vez quando deixara Portugal para vir morar em Viena com Hans. Nem acreditava que acabara de a ver num programa de TVNet na RTPinternacional. Como havia mudado - mais brancas, rugas de expressão mais marcadas - mas, contudo, permanecia a mesma: com o mesmo sorriso aberto e a mesma maneira simples de estar.
Feliz pelo sucesso da sua amiga, decidiu que iria finalmente enviar-lhe o seu livro, o magote de folhas impressas que tinha na mesinha de cabeceira há muito tempo e que Hans já quisera enviar para publicação antes. Finalmente tinha a coragem necessária para dar o passo final.


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Texto escrito para a Fábrica de Histórias, sob o tema 
Escrever ou não Escrever… eis a Questão!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Catadupa!

Ele há palavras na Língua Portuguesa que são tão fixes que, como diria o outro, dizê-las já nos dá uma sensação de absorção..., mas ao contrário! :-D
E já nem falo de palavras inventadas como o verbo "pirilimparar" do outro, ou o tão em voga "fabulástico"... Não!
Refiro-me a palavras verídicas, genuínas, daquelas que já existem há anos e que podem ser encontradas nos dicionários pré- e pós-acordo ortográfico, como "Catadupa".
Neste momento, sinto que tudo se desenrola em catadupa, a um ritmo super-rápido, como uma torrente imparável, uma avalanche de acontecimentos, que, se estivermos atentos, nos permite encaixar montes de peças (projectos, pessoas...) do quebra-cabeças imenso que é a Vida.

Sei que é um privilégio ter a capacidade de perceber isso no meio de tanta coisa negativa que anda à nossa volta, mas, como diria o outro, "Portugal é a Índia da Europa" e tem, com a crise e as mudanças que ela implica, a desculpa ideal para mudar radicalmente para muito melhor!
Espero que sejamos capazes de ver as coisas boas no meio do nevoeiro, usar a nossa energia positiva para discernir o importante no meio de tanto fumo, de apoiar as pessoas boas na nossa vida e abrir o coração (e a nossa agenda) aos projectos que façam uma diferença positiva!

Imagem retirada da internet

P.S.: E, se não for pedir muito... continuar a visitar-me!!! É que ver o contador passar as 12mil visitas foi fantástico! ;-P
Muito obrigada a todos pela vossa atenção, pelo vosso tempo, pelos vossos comentários e pela vossa partilha... e pela força que me dão! :-)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Beleza nas coisas simples...

Porque nas coisas mais simples encontramos grande beleza... só é preciso saber ver!

Mais imagens aqui
P.S.: E muito mais fotos e factos interessantes sobre o único planeta que temos no blogue "O Único Planeta que Temos".

domingo, 11 de setembro de 2011

Ser "Verde" é...

Ter ideais ecologistas nem sempre é fácil apesar de estar na moda dizer-se que se é "verde", mas lá vamos aguentando os olhares de esguelha que nos mandam quando:

- dizemos que não precisamos de saco e colocamos as coisas directamente na mochila ou de lá sacamos dum saco plástico com marcas de MUITO uso...

- recolhemos todo o lixo num saco de plástico (trazido de casa para o efeito) e o metemos no saco para, em casa, procedermos à separação do mesmo...

- guardamos as coisas enquanto dizemos que depois... colamos/costuramos/remendamos tudo o que der para se usar ao máximo, reutilizamos e requalificamos tudo o que der nos usos que a nossa imaginação permitir (algo básico como usar os copos de iogurte para sementeiras confunde muita gente - mas já não é mau dizerem para reciclar e não para deitar para o lixo!) e só depois mandamos para a reciclagem o que não conseguimos usar - apesar da senhora que fazia quadros com flores lindíssimas com escamas de peixe e cascas de cebola e alho na feira de artesanato me ter feito perceber que se pode aproveitar MUITO mais (já para não falar dos cadernos feitos com bosta de elefante...).

P.S.: E ser uma Mãe "Verde"  é babar quando a professora dos nossos filhos diz que eles são os que mais sabem acerca de reciclagem e poluição na escolinha! ;-)´´´´

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aprender a Voar...

Assistir a uma aula de vôo duma gaivota juvenil é algo enriquecedor (mesmo quando esta acontece no meio de prédios que não estão à beira-mar por as andarem a alimentar - e, em contrapartida, tem-se pombas na praia, algo que me mete MUITA confusão...).
"E porque é que é enriquecedor ver a aula de vôo duma gaivota juvenil?", perguntam vocês e muito bem!
Porque é o que faz falta a muito boa gente: ter pais que os ensinam a voar mas que, apesar de andarem sempre a rondar e a incentivar, esperam que os filhos se safem sozinhos, abram as asas e ganhem a destreza necessária para cruzar os céus.
Quando os pais não fazem isso e andam sempre a amparar o rabo dos filhinhos, os filhos tornam-se incapazes de fazer seja o que for sozinhos, exigindo tudo e mais alguma coisa como se fosse seu de direito e não precise de ser conquistado como sucede com os restantes dos mortais, sendo arrogantes numa tentativa de disfarçar a sua dependência e sem capacidade de desenrascanço ou, no mínimo, de demonstrar humildade pedindo ajuda a quem sabe...
Por isso é que depois temos aqueles caramelos que, mesmo não percebendo nada do assunto, opinam sobre tudo e mais alguma coisa (como se parecerem sapientes lhes vá despertar o conhecimento por artes mágicas), não aceitam críticas (especialmente das construtivas porque, nesse caso, é mais difícil "defenderem-se atacando" sem perderem a razão aos olhos de quem tem dois dedos de testa) e que só sabem arrastar-se na vida ou copiar o que os outros fazem, sob pena de se apanharem em terreno novo,desconhecido, e terem que se safar sozinhos...

É bom aprender a Voar e, se possível, bem alto!
O que interessa se a queda pode ser maior? Ou se vamos na direcção oposta do resto do bando?
Ao menos que se viva a vida e que nos arrependamos das decisões que tomámos (nunca do que não fizemos por medo) e aprendamos com os nossos erros e com os nossos falhanços (mas sem cairmos no erro de culpabilizarmos os outros por eles, pois as escolhas são sempre nossas!).

Voem sempre alto! :-)
Original daqui

domingo, 24 de julho de 2011

67 maneiras de mudar o mundo

Há mil e uma maneiras de mudar o mundo e a Manuela Araújo partilhou no Sustentabilidade é Acção as 67 que a Fundação Nelson Mandela sugere aqui.

Aqui ficam elas:

67 maneiras de mudar o mundo


Pensar nos outros

1. Faça um novo amigo. Conheça alguém de um meio cultural diferente. Somente através da compreensão mútua podemos livrar as nossas comunidades da intolerância e xenofobia.
2. Leia a alguém que não pode. Visite uma casa local para cegos e abra um novo mundo para alguém.
3. Arranje os buracos na sua rua ou bairro.
4. Ajude no abrigo animal local. Cães sem casas também precisam de um passeio e de um pouco de amor.
5. Descubra na sua biblioteca local têm uma hora para uma história e ofereça-ser para ler durante a mesma.
6. Ofereça-se para levar um vizinho idoso que não pode conduzir para fazer suas compras ou tarefas.
7. Organize um dia de limpeza do lixo na sua área.
8. Arranje um grupo de pessoas para tricotar um quadrado de malha e fazer um cobertor para alguém que precise.
9. Voluntarie-se na sua estação de polícia ou organizações locais de ajuda.
10. Doe suas habilidades!
11. Se você é um construtor, ajude alguém a construir ou melhorar a casa.
12. Ajude alguém a iniciar o seu negócio.
13. Construa um site para alguém que precisa, ou para uma causa você acha que precisa do apoio.
14. Ajude alguém a conseguir um emprego. Redija e imprimir um curriculum vitae, ou ajude a preparar as entrevistas.
15. Se você é um advogado, faça algum trabalho pro bono por uma causa que vale a pena ou pessoa que precisa.
16. Escreva para o vereador da área acerca de um problema que requer atenção, e que você não tem possibilidade de resolver.
17. Patrocine um grupo de alunos para ir ao teatro ou ao jardim zoológico.

Ajudar a uma boa saúde

18. Entre em contacto com organizações locais de HIV e descubra como pode ajudar.
19. Ajude no hospital local, pois além dos pacientes, os funcionários muitas vezes precisam de apoio.
20. Muitos doentes terminais não têm ninguém com quem falar. Demore um pouco a ter uma conversa e a trazer alguma luz nas suas vidas.
21. Converse com seus amigos e família sobre o HIV.
22. Faça o teste de HIV e encoraje o seu parceiro a fazê-lo também.
23. Leve um saco cheio de brinquedos para a ala de crianças de um hospital local.
24. Leve os membros mais jovens da sua família para um passeio no parque.
25. Doe algum material médico a uma clínica da comunidade local.
26. Leve alguém que você conhece e não pode pagar, para fazer um exame ou consulta aos olhos ou aos dentes.
27. Cozinhe algo para um grupo de apoio de sua escolha.
28. Inicie uma horta comunitária para promover a alimentação saudável na sua comunidade.
29. Doe uma cadeira de rodas ou um cão guia, a alguém em necessidade.
30. Faça um cabaz de alimentos e dê a alguém em necessidade.

Tornar-se um educador

31. Ofereça-se para ajudar na sua escola local.
32. Oriente um aluno ou um jovem que abandonou a escola no seu campo de especialização.
33. Seja treinador numa das actividades extra que a escola oferece. Também pode se voluntariar para treinador de uma actividade que a escola não oferece.
34. Ofereça-se para dar aulas de reforço numa matéria escolar em que você é bom.
35. Doe seu computador velho.
36. Ajudar a manter os campos de desporto.
37. Arranje uma sala de aula, substituindo janelas partidas, portas e lâmpadas.
38. Doe um saco de material de arte.
39. Ensine uma turma de alfabetização de adultos.
40. Pinte salas de aula e edifícios escolares.
41. Doe seus manuais escolares, livros ou outros bens, a uma biblioteca escolar.

Ajudar os que vivem na pobreza

42. Compre alguns cobertores, ou pegue os que você tem em casa e não precisa mais, e dê-os a alguém em necessidade.
43. Limpe os seus armários e doe as roupas que já não usa a alguém que precisa delas.
44. Monte cabazes de alimentos para uma família carente.
45. Organize uma venda de bolos, lavagens de carros ou vendas de garagem de caridade e doe os lucros.
46. Para os mais pobres dos pobres, sapatos podem ser um luxo. Não os acumule se você não os usa. Dê-os!
47. Voluntarie-se para ajudar na “sopa dos pobres” local.

Cuidados para a juventude

48. Ajude num orfanato ou abrigo de crianças local.
49. Ajude crianças com os seus estudos.
50. Organize um jogo amigável de futebol, ou patrocine as crianças para assistir a um jogo no estádio local.
51. Treine uma equipe de desporto e faça novos amigos.
52. Dê equipamentos desportivos a abrigos de crianças.
53. Doe brinquedos educativos e livros a um orfanato.
54. Pinte, repare ou infra-estruture um orfanato ou um centro de juventude.
55. Oriente alguém. Arranje tempo para ouvir o que as crianças têm a dizer e dê-lhes bons conselhos.

Acarinhar os idosos

56. Se você tocar um instrumento, visite um lar de idosos local e toque durante uma hora os moradores e funcionários.
57. Ouça a história de alguém mais velho do que você. As pessoas esquecem que os idosos têm sabedoria e uma experiência enriquecedora, e, muitas vezes, uma história interessante para contar.
58. Leve uma pessoa idosa às compras no mercado, pois eles vão apreciar sua companhia e assistência.
59. Leve o cão de alguém a passear, se essa pessoa for demasiado frágil para fazê-lo.
60. Corte a relva de alguém e ajude-o a consertar as coisas no quintal.

Cuidar do seu ambiente

61. Se não houver ecopontos para reciclagem na sua zona, peça ao vereador da área para fornecer um.
62. Doe árvores nativas para embelezar bairros nas zonas mais pobres.
63. Recolha jornais velhos de uma escola, centro comunitário ou hospital e leve-os a um centro de reciclagem.
64. Identifique tampas de saneamento abertas na sua área e relate às autoridades locais.
65. Organize a empresa, escola ou organização em que você trabalha para que desliguem todas as luzes desnecessárias e fontes de alimentação à noite e nos fins de semana.
66. Ajude a convencer pessoas que deitam lixo fora de qualquer maneira, do valor do ambiente limpo.
67. Organize com algum amigos uma limpeza do seu parque local, rio, praia, rua, praça ou recintos desportivos. As nossas crianças merecem crescer em um ambiente limpo e saudável.
 
 
MÃOS À OBRA!!! :-)
 
P.S.: Obrigada Manuela!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Passinhos de formiga...

Não sei se vocês conhecem o jogo "Minha mãe dá licença?", mas, neste momento sinto que a minha vida está um misto de passinhos de formiga com passos de gigante: há muita agitação, mas não se avança nada de jeito!

Devagar devagarinho, passos vão sendo dados na direcção certa, na direcção de uma vida mais simples e com mais tempo para o mais importante: a família!
E, no meio disso tudo, andam a Ecologia, a Sustentabilidade, a Transição, a Humanidade, o Voluntariado...

Vamos fazendo mudanças para diminuir a pegada ecológica da família, criando ideiais ecológicos na descendência, instituindo hábitos verdes a pouco e pouco, evitando cada vez mais o desperdício e reutilizando ao máximo...
Vamos estendendo os braços para abraçar iniciativas positivas e necessárias, abrindo-os para acolher pessoas boas e dinâmicas, partilhando-nos com quem merece e se partilha de volta...
Vamos incutindo sentido de responsabilidade, de limites, de respeito, senso-comum e pensamento crítico...

Depois vemos as notícias e pensamos: Caneco, que isto de educar seres humanos responsáveis e equilibrados hoje em dia é tarefa quase impossível... :-S
E depois vemos as situações do dia-a-dia, aquelas pequenas coisas que só percebe quem pensa, e ainda é mais desesperante!
Qu'é feito do bom senso, da boa educação, do dizer as coisas sentidas e não só da boca para fora?!?
Eu sei que sou uma matraca, que falo até dizer chega e que falar comigo é pior que comer cerejas, mas não digo nada que não sinta e, se peço desculpa por ter falhado um compromisso, por atrasar alguém ou por outro motivo, é sentido!
Eu sei que sou contra os relógios, mas se as coisas são agendadas ou existem horários, custa muito cumprir?
E, se falham, custava muito avisar ou, no mínimo dos mínimos, pedir desculpa de interferir com a vida das outras pessoas?!?
Sim, porque há quem queira ir para casa e estar com a família, sabiam?!?

terça-feira, 5 de julho de 2011

Inspira... e continua!

Ando sem tempo para pensar, para parar e cheirar as flores (espirre ou não a seguir...), para olhar o céu, para ouvir os pássaros, para sequer organizar a cabeça e ver os mails, quanto mais vir aqui escrever... :-(

Mas o vício é mais que muito e não consigo ficar mais tempo sem debitar aqui os meus pensamentos, por isso cá vai...


Original aqui

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Original aqui

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Original aqui

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P.S.: Não queiram saber o tempo que isto demorou a fazer, mas ao menos serviu para organizar a minha cabeça e estabelecer prioridades!!!
E o som do mar é inspirador...
Houvera hipótese de juntar um pouco de cheiro a maresia, e aí é que as baterias recarregavam por completo! :-)

Boa semana! :-D

terça-feira, 31 de maio de 2011

O problema são as pessoas!

Às vezes penso que era bom ter um blogue anónimo, como a Pronúncia tem ou a Cloudy tinha (no passado porque já não escreves há TANTO tempo linda...), para poder desopilar forte e feio no que me apoquenta sem medo de ferir susceptibilidades...
Claro que logo a seguir penso que iso seria ridículo, porque, não só já tenho blogues que chegue, como seria mais uma conta de e-mail a manter e, se já não tenho tempo para me coçar, quanto mais para mais um projecto... Ao menos já vou conseguindo manter algumas coisas da clínica em ordem (como o blogue e afins), mas, para isso, sofre a campanha, que está muito parada quando é urgente que desenvolva! E as coisas das Mães de Transição vão andando, mas não com o empenho que merecem (desculpa Sofia...)... E o tratar da casa e dormir que vão sendo relegados para 5º e 6º plano respectivamente e, como consequência, lá fico a funcionar a combustível cafeístico e não a energia auto-renovável...

O bom senso prevalece e arranjo maneira de aqui desabafar os meus pensamentos, mas depois lá vêm dias como o de hoje em que só me apetece disparatar a torto e a direito, mas tenho que ficar em frente ao monitor a medir as palavras, a ponderar bem no que escrever, escolher o que revelar e o que ocultar, o que dizer subtilmente mas de modo a que se compreenda à mesma... e dou em doida!!! :-S

Isto de saber apanhar as coisas no ar dá-me demasiada informação para computar...
Ser veterinária permite-me ver o melhor e o pior das pessoas e cada vez mais gostar dos animais...
Ser empresária deixa-me ver o quão mal as coisas já estão e o quão pior vão ficar...
Ser mãe faz-me ter uma consciência mais aberta para as coisas e o que vejo e sinto não é como devia ser...
Ser mulher faz-me ter noção de muita coisa que está desajustada, mesmo no século XXI, e só me dá para pensar que a única diferença daqui para a Idade Média é que a gordura já não é formosura (é pena... quão formosa eu não seria, mesmo daquelas modelitos à Miguel Ângelo!)...
Ser portuguesa faz-me sentir pena do D. Afonso Henriques que deve estar a pensar porque raio se chateou com a famelga para, uns séculos depois, o pessoal mandar o condado e restante território que a sua descendência conquistou com suor e lágrimas q.b. para o brejo (já para não falar nos pinhais...)...
Ser da espécie Homo sapiens dá para ver a ironia e arrogância do nome, pois somos burros ao ponto de destruir a Mãe Natureza e, com ela, o nosso futuro, pelo vil metal, efémero papel e virtual juro...

Reitero a minha oferta, feita há n tempo (do ponto de vista de "água por baixo do moínho", do relógio, nem por isso!) aqui no estaminé, de disponibilidade para habitar uma colónia sub-aquática com a família toda!
Desde que lá não se comecem a caçar os melros sem razão válida (alguém deve querer comer mais cerejas...) e não se matem pessoas de bem, estamos disponíveis!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Curso de Horticultu​ra Vertical no Botânico

Para quem tem interesse em "aprender como criar um paraíso comestível num espaço pequeno. Até não é preciso acesso à terra para começar ;-)".

Transcrevo o e-mail enviado pela Plataforma Perma-D de Coimbra:

"Em anexo o cartaz para ficar com alguma inspiração, mais informações e o programa encontram-se no site do Botânico: http://www.uc.pt/jardimbotanico/noticias_01/curso_horticultura_vertica/

Se têm interesse, espero que ainda conseguem libertar tempo nas vossas agendas! Será possível atender sessões individuais.

Para quem não tem espaço pra cultivar perto da casa: vamos disponibilizar um metro quadrado por pessoa durante o curso, uma vez que a pessoa interessada disponibiliza-se para um programa de rega em equipa durante o verão. O espaço será disponível pelo menos até Setembro para as colheitas do Outono.

Se o único impedimento de participação será o preço, pode entrar em contacto comigo. Agradecemos propostas para trocas interessantes.

Ficámos com uma inscrição de uma mãe com uma filha com 7 anos para o curso de Horticultura Vertical. Quero convidar outros pais para pensar em participar com o(s) seu(s) filho(s) a partir de 7 anos e com interesse verdadeira em tudo que cresce e vive.

Ainda temos umas vagas e alguns metros quadrados disponíveis. Sejam rápidos em marcar a vossa presença!

Um abraço permacultural, Annelieke van der Sluijs."
--
Plataforma Perma-D
Permacultura
Portugal
http://permad.no.sapo.pt/
plataforma.permacultura@gmail.com
tlm.: +351 961 596 758

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Por favor assinem, por tudo o que é Natural!!!

É incrível como as pessoas não têm uma mente aberta...
Então com isto da crise, parece que arranjaram a desculpa ideal para descarregar as suas frustações em tudo e todos que saiam da norma, que não estejam formatados, que não acreditam nos mesmos dogmas e conseguem ver os paradoxos que nos rodeiam...

Comecei recentemente a ler o livro Os Doze. 21-12-2012 - O Dia em Que o Mundo Começa (de William Gladstone, editado pela Pergaminho) e uma das coisas que lá fala é precisamente da dificuldade que as pessoas têm em aceitar quem pense "fora da caixa".
Se uma pessoa consegue ver o mundo a cores em vez de preto e branco ou mesmo em escala de cinzas, porque não respeitar isso?!? Ou. no mínimo, aceitar que a pessoa tem esse direito se quiser, mesmo que nós não o façamos ou achemos válido.
Se não se violam as liberdades de ninguém, não se coloca ninguém em perigo a curto, médio ou longo prazo e, ainda por cima, até se está a ser positivo, porque raios melgar as pessoas?!?

Um exemplo:
Recentemente partilhei no FB a petição contra a nova directiva europeia acerca dos produtos medicinais naturais que, na prática, vem "limitar o acesso do indivíduo à qualidade e seleção de produtos medicinais tradicionais e de origem vegetal", visto que "coloca barreiras altas em qualquer medicamento natural que não esteja no mercado há pelo menos 30 anos -- incluindo quase todo o medicamento tradicional Chinês, Ariuvédico e Africano. Esta é uma medida draconiana que ajuda a indústria farmacêutica e ignora milhares de anos de conhecimento médico."
Para mais informações, leiam aqui, aqui e aqui.
Só a título de exemplo, com esta directiva, até a menta não pode ser comercializada sem autorização (vejam aqui)... :-(

Ora, sendo eu neta duma mulher que conhecia muitos dos chás e mezinhas para curar muitas maleitas, conhecia todas as ervas boas do monte (estivera eu com mais atenção e agora já sabia mais, mas isto da inconsciência dos jovens é algo tramado...) e viveu rija até uma idade avançada, sendo eu profissional da área de saúde que até é curiosa q.b. acerca da forma de actuar das coisas (especialmente a nível da Bioquímica e da Fisiologia) e que até sabe que a maior parte dos produtos farmacêuticos tem uma origem natural mais ou menos remota, e sendo eu mulher que sabe que a vida mais simples e mais em contacto com a Terra (solo e Mãe) é o futuro que quero para os meus filhos, o futuro de que precisamos para sair desta caixa que não respeita a Vida, nem a das plantas, nem a dos animais e nem sequer a dos cidadãos, nada mais natural que eu considerar isto importante, n'é?
Pois...
Mas não é que uma alminha me disse, de modo depreciativo, que "uma Médica Veterinária que tirou um curso superior não pode acreditar nesses produtos"?!?

Haja pachorra, mas o que é que há para acreditar?!? Não é preciso ter fé para saber que o chá preto é antivírico e óptimo para conjuntivites, que o alho é um óptimo vasodilatador, que o Aloé Vera é óptimo em imensa coisa, incluindo para desintoxicar o organismo (por exemplo, quando se está a fazer quimioterapia)! Primeiro porque há estudos que o comprovam, e segundo porque a experiência é uma coisa fabulosa!
Só falta virem-me dizer que também não "acreditam" na acupunctura (com ou sem "c" antes do "t"), na homeopatia (para quem tem alergias e faz a dessensibilização, o princípio é o mesmo: "semelhante cura semelhante"!!!), psicanálise e no "efeito placebo", apenas porque não são fornecidos por laboratórios e serem terapias "alternativas" e não "normais" (apesar de, por exemplo, já haver faculdades de Medicina Veterinária com a cadeira de Acupunctura)!!!

Enfim...

Haja quem pense de modo diferente do resto das ovelhas, porque o rebanho está à beira do precipício e já 'tou fartinha de lobos disfarçados de pastores!!!

Imagem retirada daqui
Peço-vos que assinem a petição (aqui e/ou aqui), para que haja liberdade de escolha.

Obrigada! :-)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quem quer ser Super?!? EU!!!

Já há muito percebi a moda dos vampiros e lobisomens: as pessoas estão fartas de ser "normais", de não serem extraordinárias, de não terem capacidade de dar saltos enormes e força sobre-humana (mesmo implicando mudanças radicais na dieta!), de estarem constritas e restritas ao jugo do que lhes é imposto pela sociedade.
Mas confesso que ainda me escapa o porquê não quererem ser "super-heróis"! A sério! Então não era muito melhor ter um super-poder qualquer para ultrapassar a crise, quebrar a rotina do quotidiano e depois, como o Super-Homem, colocar uns óculos e assumir uma vidinha perfeitamente banal de Clark Kent só para ninguém desconfiar?


Eu já me contentava com ser capaz de gerir o meu tempo melhor e não ser pitosga mesmo com os óculos postos (às vezes pareço mesmo o Mr. Magoo!)... :-(

Especialmente porque tenho o exemplo de mulheres fantásticas que conseguem ser super-heroínas, mães e mulheres ao mesmo tempo:
- a Manuela Araújo - além de mãe e mulher trabalhadora, é uma super-heroína que luta para salvar o planeta do consumismo e da poluição, defendendo com unhas e dentes a Sustentabilidade e uma vida melhor nesta nossa Terra, além de ter mais que um blogue! E a trabalheira que ter "só" um blogue bonitinho e interessante cheio de coisas boas como o "Sustentabilidade é Acção" não deve dar, com presença no FB e em vários sites "verdes", entrevistas para revistas, etc., etc.. Quem me dera a mim conseguir fazer 1/100 disso com a campanha do "Comprar Local e Nacional é Reinvestir em Portugal"...
- a Sofia Passos - uma mãe que se sentia só e sonhou juntar mais mães numa rede que se espalha e estreita cada vez mais, juntando mulheres que se compreendem e inclusivamente passa(ram) por experiências semelhantes, para que nunca mais mãe alguma se sinta só e perdida! Dum sonho surgiram as Mães de Transição e, com o grupo no FB, esse sonho tem crescido a olhos vistos!

Há também mulheres não-mães que admiro imenso, como a Bastonária do OMV, a Profª Drª Laurentina Pedroso, que já tive a oportunidade de conhecer e que está a fazer um trabalho fenomenal com a nossa Ordem! Se ela se candidatasse ao Governo, votava nela sem hesitação! Basta pensar que a OMV dava sempre prejuízo, era "eles contra nós" e uma prepotência e arrogância extremas e, depois de uma direcção mais aberta mas de curta permanência, chegou ela (e a sua equipa, que está a fazer um trabalho fantástico!!!) e, agora, não só a OMV dá lucro, como organiza congressos gratuitos, é mais aberta e dinâmica, e sentimo-nos mais parte de algo melhor.
Qualquer semelhança com a situação nacional é mais que pura coincidência, o que só reitera a minha opinião que, o que faz falta a Portugal neste momento, é uma mulher (que não alemã) que meta isto na linha!

No meio disto tudo, sinto-me pequenina, algo como uma aprendiz de super-herói, que ainda não descobriu o seu super-poder ou, pelo menos, o poder de usar melhor o tempo que tem! Se nem sequer tenho tido tempo para visitar os blogues dos meus amigos... :-(
Bem, comecemos pelo início: marcar consulta no oftalmologista e começar a pensar em emagrecer para conseguir caber num fato de super-heroína.

Porquê, oh porque é que não fazem fatos de super-herói sem lycra?!?
Toca a meter a barriga para dentro!

domingo, 17 de abril de 2011

"Lei das Sementes" NÃO!!! Eu sou pelas SEMENTES LIVRES!!!

Com isto tudo da crise, cada vez mais ouço as pessoas dizer que, se não der, se dedicam à agricultura. Acho muito bem, dê ou não,mas e se não puderem?
E se não for assim tão fácil por não se poder usar as sementes antigas e resistentes e tivermos que nos ficar por sementes compradas e, se tivermos sorte, ainda não geneticamente modificadas (já não há-de faltar muito, porque a pressão aumenta...)?!?
Na Índia, empresas internacionais já conseguiram patentear vários tipos de arroz (ver aqui) e, na Europa, os bróculos, o tomate e os girassóis, por exemplo, já foram patenteados (ver aqui)!!! :-S
Há muita informação no site "No Patents on Seeds", um conjunto de associações que defende a Mãe Natureza e a nossa liberdade no uso das sementes!

Leiam o que transcrevo aqui e, se concordarem que esta lei não deve passar, assinem a carta que será entregue no Parlamento Europeu aqui. Se ainda tiverem dúvidas e quiserem mais informações, digam que eu mando-vos tudo por e-mail.


A Comissão Europeia (CE) está a preparar a chamada “Lei das Sementes”, na forma de um Regulamento da União Europeia, que contrariamente às Directivas (que podem ir sendo implementadas pelos Estados-Membros ao ritmo e sabor de cada um), tem força de lei imediata e sobrepõe-se à qualquer legislação nacional que entre em conflito com o Regulamento.
Prevê um sistema de controlo apertado com sanções para variedades não registadas e uma maior ingerência da Comissão Europeia e do ICVV (Instituto Comunitário das Variedades Vegetais) nos assuntos agrícolas nacionais. A Lei das Sementes reunirá as 12 Directivas antigas sobre a comercialização de sementes e as 3 Directivas entretanto passadas para regulamentar o mercado das sementes de variedades de conservação (também chamadas regionais ou tradicionais).

As 3 recentes Directivas já estão a preparar o caminho para a restrição total das sementes tradicionais e a criação de um mercado completamente proprietário das sementes com elevado controlo de todas as produções, isto com base nas recomendações das entidades consultadas em 2008 pelo consórcio de consultores encarregue de estudar a revisão, com um claro favorecimento das opiniões da indústria. Um dos membros do consórcio é a Arcadia, com ligações conhecidas às grandes empresas de biotecnologia.
Adicionalmente, a CE quer, a prazo, aproximar ou fundir esta lei com os regulamentos sobre a segurança e higiene alimentares, saúde pública, transgénicos, protecção do ambiente e mitigação das alterações climáticas. Para tal, prepara também uma revisão do Regulamento 882/2004, que regula o controlo de rações e alimentação no mercado europeu.

Com estas 'contorções' legais é provável que a CE fique com todos os pretextos necessários para restringir a comercialização de certas variedades e reforçar a legitimização de outras (entre elas as variedades transgénicas).
Por fim, também em 2011, a CE vai propor um reforço dos poderes do ICVV, permitindo a este de fiscalizar todos os registos de variedades, comerciais e regionais, possivelmente segundo o tratado da UPOV, mais lesivo para os agricultores que guardam sementes (prevê sanções para quem guarde sementes de variedades registadas). Podem ver o plano de acção da CE e as recomendações do consórcio de consultores FCEC aqui."

"Assina a petição europeia pelas sementes livres que será entregue ao Parlamento Europeu e Comissão Europeia no dia 18 de Abril!

Para quê estas Jornadas Internacionais de Acção pelas Sementes Livres?

Nas últimas três décadas assistimos a uma enorme concentração no mercado das sementes, produtos alimentares, medicamentos e agro-químicos. Hoje as dez maiores empresas de sementes controlam 67% do mercado global. Através da manipulação genética, as patentes e a cobrança de direitos para a reprodução de sementes estas empresas estão a condicionar a diversidade genética do nosso planeta. Com o desaparecimento das pequenas empresas e agricultores estamos a perder a riqueza de sementes que precisamos para manter uma dieta e ecossistemas agrícolas saudáveis.

Em vez de proteger a nossa herança genética agrícola, apoiar os curadores das sementes e promover uma agricultura capaz de garantir a soberania alimentar dos povos do mundo, os governos e os tratados internacionais estão a favorecer o mercado das sementes protegidas por direitos intelectuais e a estrangular as iniciativas locais de preservação de sementes e conhecimentos tradicionais. Um exemplo recente desta tendência é a revisão em curso da legislação europeia sobre sementes que prevê regulamentações extremamente burocráticas que virão restringir significativamente a variedade de sementes tradicionais disponíveis no mercado.

Não é tarde demais para dizer BASTA! Um movimento cívico para proteger e expandir o vasto espólio de sementes regionais está a crescer por toda a Europa e no mundo, e exige que o direito de reproduzir sementes permaneça nas mãos dos pequenos horticultores e agricultores.

Nos dias 17 e 18 de Abril este movimento internacional vai celebrar a herança genética comum e mandar um recado inequívoco às instâncias europeias: As sementes são um bem comum e a base da vida, devem permanecer no foro público e sob condições algumas entregues para a exploração exclusiva da indústria de sementes.

Campanha pelas Sementes Livres em Portugal: http://www.sosementes.gaia.org.pt/ / sementeslivres@gaia.org.pt
Campanha Europeia pelas Sementes Livres: www.seed-sovereignty.org/PT"

E, se quiserem participar duma iniciativa de recolha e troca de sementes e/ou de protesto contra esta nova lei, vejam aqui todas as iniciativas e aqui todas as nacionais.


P.S.: Se esta lei passar, já nos imagino a todos vestidos com gabardinas e boinas a trocar sementes em cantos escuros à noite à moda da "Resistance" no "Alô, Alô"!!!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lista de pré-requisitos para candidato a deputado

A meu ver devia ser obrigatório preencher uma lista de pré-requisitos para ser candidato a deputado nas eleições legislativas que se aproximam.
É que, se a situação já está preta, meter lá mais caramelos que não saibam, no mínimo, não piorar a coisa, é suicídio!!!

Então, que tal:
- não ter cadastro criminal, em especial processos por fraude e abuso de poder - prova de seriedade
- não viver com os pais, sendo responsável pela gestão do seu próprio lar, idealmente com filhos - prova de responsabilidade
- não ter créditos mal-parados e muito menos calotes em lado algum, desde a padaria do bairro a fornecedores (caso seja empresário) - prova de honra
- não ser viciado em aparências e em futilidades, tendo apenas meia dúzia de gravatas e não gastar mais dinheiro que o valor do salário mínimo num só fato ou num par de sapatos e mala a condizer! - prova de simplicidade
- saber falar português e prezar a identidade nacional, não "estrangeirando" tudo nem dando erros de sintaxe de bradar aos céus - prova de patriotismo
- ter família trabalhadora, gestora e reformada, saudável e doente, de todas as faixas etárias e todas as religiões, de Norte a Sul, do Litoral ao Centro, no Continente e nas Ilhas e, no mínimo, amigos emigrados dentro e fora da UE, para verem as coisas de todos os pontos de vista - prova de abertura de espírito
- não precisar de um assessor para fazer o nó da gravata e outro para temperar a água do banho - usem d'aquelas gravatas falsas com elástico e tomem duche que é mais barato e poupam água, que já se viu que este Verão vai fazer falta!!! - prova de independência

Não é pedir muito, pois não?
Se me tiver falhado algum outro pré-requisito básico, avisem.

P.S.: Eu poderia acrescentar "ser mulher" para que fossem pessoas com capacidade para ver fora da caixa, ajudar quem precisa e gerir este país com juízo, mas ainda me acusavam de sexismo e de ser feminista, por isso eu guardo essa para outra ocasião! ;-)

ADENDA:
(isto é como nos Decretos-de-Lei: passado pouco tempo surge logo uma Portaria rectificativa dalguma coisa!!!)

- ter um elevado QE (coeficiente de inteligência emocional -  capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles) e QP (coeficiente de inteligência patriótica - capacidade de reconhecer os melhores interesses para a Nação e seus cidadãos, assim como de os defender perante tudo e todos), sendo que o QI (coeficiente de inteligência clássico) pode ser mediano (+/- 100), porque isto do sistema financeiro dá cabo da cabeça a qualquer um! - prova de sabedoria
- não tirar doces a crianças, não roubar beijos e não arengar as suas virtudes aos 7 ventos, olvidando estrategicamente de mencionar os seus defeitos - prova de honestidade e modéstia
- não se preocupar em aparecer com olheiras, despenteado ou do lado menos favorecedor aos media - prova de fogo!!!

[obrigada Manuela!!! :-D ]