sábado, 11 de agosto de 2012

Aprendizagem contínua, mas "hands on"!!!

Eu sempre fui uma grande fã da aprendizagem contínua, não só porque tinha melhores notas assim (eu e os exames não nos damos...), como acredito que se pode sempre aprender coisas novas ou, no mínimo, formas novas de fazer as mesmas coisas.

Ora, na minha modesta opinião, "aprendizagem contínua" não é o mesmo que "estar na escola indefinidamente", por isso não sou fã de pós-graduações, mestrados e doutoramentos.
Sou uma gaja mais prática, tipo "mãos na massa" (apesar de gostar que a minha recém-adquirida máquina do pão faça o amassanço todo por mim!), por isso acredito que a formação mais necessária e útil para aprendizagem contínua vem na forma de workshops e cursos práticos.

Claro que nada é de borla, mas as alternativas existem (trocas, trabalho voluntário, pagamento em produtos) e tudo é possível!

Vai daí que, quando em conversa digo a alguém que vou fazer um curso super-prático de 15 dias (oh por favor, que surjam mais 5 interessados até dia 15!!!) e esse alguém me incentiva (independentemente das implicações na logística familiar que tal facto implica) até descobrir que as mãos vão andar na terra e não no meio de pêlo e penas (altura em que congela o sorriso num esgar meio de pânico...), me/lhe pergunto: e achas mesmo que eu me resumo a ser médica veterinária? :-S

Porque raios é que o meu interesse em permacultura é assim tão estranho? Como se eu fosse a única médica veterinária a gostar de pôr as mãos na terra, não é Gintoino?
Além de que sou uma mulher complexa (o N. uso muito este adjectivo em vez de "complicada", apesar de esse também se aplicar! ;-P ), com múltiplos interesses e muita vontade de me desenvolver no meu Elemento (leiam este livro, a sério!!! Sir Ken Robinson tem toda a razão; não se contentem com uma vida medíocre!!! )!!!

Recentemente escrevi a uma amiga precisamente acerca disso, e aqui ficam uns excertos da carta:

"Uma das coisas que sempre achei piada nos CVs foi à parte “Outros interesses” que raramente vêm completos, a não ser com actividades de grupo em adolescente ou desportos. Aquela em que o mocinho do anúncio do Baccardi divulgava os seus interesses.
Uma grande dificuldade é sabermos o que nos faz vibrar, o que nos motiva. 

Um dos meus maiores interesses é a Permacultura, uma forma espectacular de lidar com o mundo, em equilíbrio e usufruindo do que a Natureza nos dá sem a forçar a nada, e, nesse sentido, estou em Transição (activa) para um mundo em que a dependência energética, social e alimentar em relação aos combustíveis fósseis e ao actual modelo económico-social é possível.
O meu sonho é legar essa independência aos meus filhos e, ao mesmo tempo, um planeta o melhor possível. Daí o meu interesse em tudo o que é sustentabilidade (http://sustentabilidadeeaccao.blogspot.pt/), acção social de partilha e aprendizagem (http://reinventarumportugalmaisrisonho.blogspot.pt/), gestão sustentável do lar (http://around-the-kitchen.blogspot.pt/) e aprender a fazer um pouco de tudo.
Sabes o lema do Prof. Abel Salazar “Um médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe.”? Para mim é um lema de vida, juntamente com o “Se não estás bem, muda-te!”!!!
Daí estar a trabalhar nesse sentido.

Não sei se leste o livro de Sir Ken Robinson, “O Elemento”, mas ele fala da necessidade de todos descobrirmos a área que mais nos interessa, aquilo que podemos fazer durante horas e que só parecem minutos, o nosso “Elemento”.
Para mim é falar e escrever, daí estar interessada em aprender mais para poder escrever um livro que ajude mais pessoas em transição como eu, mais mães que querem deixar um mundo melhor para os seus filhos e os querem “equipar” com o optimismo e esperança necessários para ultrapassar esta era que atravessamos, mas também com as ferramentas todas caso não consigamos mudar as coisas.
 
Quanto ao dinheiro, hoje em dia não é problema, especialmente porque podes trocar os teus serviços ou coisas que tenhas por casa pelo que precisares. Há resmas de grupos de trocas no FB, desde os que trocam coisas por produtos agrícolas, como os que trocam serviços entre si. Por exemplo, tens o Banco do Tempo. Informa-te.

Descobre o que te move sempre que tenhas um pouquinho. É algo que faz falta e que motiva para fazer tudo o resto, incluindo, no meu caso, ser melhor mãe, esposa e companheira.
Precisas de tempo para ti, para pensar, para te encontrares. A meditação ajudou-me muito, mas nem sempre consigo meditar, por isso escrevo e desanuvio o que me vai na alma.
E as Mães deTransição ajudaram-me imenso: ganhei auto-estima e apercebi-me melhor do que realmente quero fazer com a minha vida. Sou uma Mãe com uma missão e sei que não há nada mais poderoso que isso. 

Descobre a tua missão e começa a persegui-la aos poucos. Há tanta coisa disponível na internet, que não há muito que possas querer fazer e não vejas como conseguir lá chegar online, por isso sonha e começa a colocar os alicerces! :-D"

Não sei muito, tenho imensas dúvidas e engano-me catrefadas de vezes, mas uma coisa eu sei: temos que perseguir os nossos sonhos!!! :-)

Imagem retirada daqui

4 comentários:

  1. Antes de começar a minha hibernação vim ler este excelente artigo.
    Concordo contigo em tudo, quase tudo, pois a diversidade de conhecimentos é essencial para sermos bons nas nossas especialidades.
    Bom êxito na tua permacultura pois, a agricultura permanente, pode ser o segredo do sucesso.
    Um beijo e até ao meu despertar.

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    1. Muito obrigada Manuel! :-)

      Gostei desse "quase tudo"! Fico à espera do desenvolvimento dessa ideia! ;-)

      Beijinhos e até ao teu regresso!

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  2. Querida amiga, temos tanto em comum! Só que tu já estás num patamar mais avançado, pois já tens levado mais coisas a cabo do que eu que ainda me encontro a "meter a primeira" e a ver se o "carro arranca". Costumo dizer que estava numa fase boa para voltar a ter aulas de CAC (tu sabes o que é) que apreendia tudo de outra maneira, bem mais produtiva de quando era estudante inexperiente. Contudo, sem exames ou provas, por favor. Mas também não é bem p'raí que estou virada. Estou numa fase em que a sede de conhecimento é bem maior. Mas conhecimento do mundo que nos rodeia. E a frase do Sr. Abel nunca fez tanto sentido.
    Obrigada por tudo! Beijinhos!

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    1. Minha linda, não penses que estou "num patamar mais avançado", porque isso não é verdade.
      Cada um desperta para as coisas ao seu ritmo e, com toda a certeza, estás mais desperta que eu numas que noutras e vice-versa.

      Em relação às aulas, sei que agora, com anos de experiência na bagagem, aprenderia as coisas duma maneira muito mais fácil, sabendo ao que ligar e o que ignorar, e as aulas de CAC seriam ainda mais bem aproveitadas (as aulas do Ti'Augusto sempre foram as minhas preferidas!!!).
      Aprender devia ser sempre como quando se é bebé: primeiro fazer, depois perceber porquê!!!
      Realmente o ICBAS é fonte de gente em grande, começando por Abel Salazar e passando por Nuno Grande. Apesar de tudo, fomos umas privilegiadas! ;-)

      Beijos e que nos encontremos em breve para pormos a conversa em dia!

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