Hoje é o Dia Mundial daComida, um dia
instituído pela ONU e cujo tema, este ano, é “Preços da Alimentação – da crise à estabilidade”.
Hoje é também o BlogAction Day (#BAD11)– o
dia do ano em que blogueiros de todo o mundo blogam sobre um mesmo tema. E,
obviamente, este ano é a Comida!
E aqui vou eu dar a minha
contribuição.
“E que vai ela escrever
sobre comida?”, perguntam vocês e muito bem.
“Olhem…, ainda não sei!”,
respondo-vos eu! Ando há dias a pensar como abordar um tema tão importante mas
tão vasto como este e, honestamente, ainda estou às aranhas.
Sendo mãe, mulher com
excesso de peso, técnica de saúde, dona-de-casa a desenvolver os seus dotes
culinários, cidadã portuguesa que incentiva o consumo local e nacional como
medida de combate à crise lusa, cidadã mundial ecoconsciente e em transição
para a Transição, pensei em tantas e tão diversas formas de abordar este tema
que não consegui escolher…
Como mãe, pensei escrever
sobre a importância da nutrição na infância - da importância do aleitamento
materno (que se deve manter o máximo de tempo possível, como relembra a OMS), da diversidade de cores, texturas e
sabores no prato (para prevenir esquisitices que, infelizmente, surgem sempre!),
do controlo da ingestão de gorduras e açúcares (para evitar obesidade – flagelo
mundial, até nas crianças –, diabetes, problemas articulares, de fertilidade,
etc.), do
quão inadequado é consumir “snacks” e refeições pré-preparadas (não só pelo
menor valor nutricional comparativamente a comida feita em casa, como pelo possível
uso de matérias-primas de má qualidade e de produtos trangénicos e/ou que
não foram produzidos de forma biológica/ecossustentável) e de como as crianças
devem ter noção de onde vem a comida (não só pelo valor da aprendizagem em si,
mas também para terem noção do impacto que a alimentação tem nos ecossistemas,
especialmente o consumo de carne ).
Também pensei descrever o
quão divertido é pô-los a semear e a plantar os seus próprios vegetais
(feijões, cenouras e tomates crescem super-bem num vasinho pequeno - e até parecem
legumes gourmet!) e o orgulho que se vê nos seus
olhos quando os colhem e os vêem no seu prato prontos a comer! E quando ajudam
a cozinhar? Aí é que é fabuloso pensar que, depois de ter posto para lavar os
aventais nojentos e limpo a cozinha toda(!), se pode saborear um bolo ou umas
bolachas preparadas em família!!! :-D
Como mulher e, ainda por
cima, com excesso de peso, pensei escrever sobre a importância de uma
alimentação equilibrada. Não só sobre a nova Roda dos Alimentos (que já eliminou
alguns erros do passado) e a importância e benefícios da dieta mediterrânica, mas também da
componente social (qual é a divisão da casa onde toda a família se junta em
alturas de festa? A cozinha, claro! E se não é, é só porque os arquitectos não pensam nisso
quando desenham os apartamentos, pois esquecem-se/bloqueiam as suas raízes!) e
emocional/espiritual (para quem não tem problemas com a comida, isto pode
parecer um exagero, mas quem come mais/menos quando está chateado/deprimido,
percebe de certeza! Leiam o livro “Mulheres, Comida e Deus” da Gennen Roth, é muito
bom!) da alimentação.
E também sobre a
alimentação nas diferentes fases da vida de uma mulher: o mais completa
possível na infância, e adolescência, menos energética na vida adulta, como
mais cálcio, ferro e outros sais minerais na pré-menopausa e muitas vitaminas e
antioxidantes na terceira idade.
Como técnica de saúde, pensei escrever
sobre o aspecto fisiológico da comida, a sua necessidade para darmos nutrientes
às nossas células – os tijolos do nosso corpo - para funcionarmos correctamente,
de cortarmos bem a comida, a mastigarmos adequadamente e comermos com calma (por
forma a facilitar a digestão), sobre as alterações fisiológicas que advém do
seu consumo em excesso - pe: dilatação gástrica - e em falta - alterações a
nível reprodutor, perda de massa muscular, etc…) e da importância dos
nutrientes (como as proteínas são importantes para os músculos, os hidratos de
carbono - açúcares complexos - são importantes para termos energia, os minerais
e as vitaminas para todo o organismo!).
Ía também referir como devemos
ser moderados no consumo de gordura, sal e açúcar (usar como acessórios, não ingredientes
principais!), não só a bem do coração, tensão, diabetes e afins, mas também
para sentirmos os sabores do que comemos (café sem açúcar sabe a café, mas com
açúcar já não tem o mesmo sabor, certo?!?) – além de que, com muitas ervas aromáticas
(mais uma vez, semeadas num vasinho perto da janela, nem que seja da sala! É biológico
e bom para o ego!!!) e meia dúzia de condimentos, a comida sabe MUITO melhor!
:-)
Como dona-de-casa a
desenvolver os seus dotes culinários, pensei escrever sobre a organização da
despensa e do congelador/arca frigorífica e como congelar alimentos,
sobre como aproveitar os restos de comida para fazer novas refeições, as ementas semanais
(algo simples mas tão útil na gestão do lar e do orçamento familiar!) e as
refeições vegetarianas cada vez menos esporádicas nas ditas ementas, sobre as compotas e
outras formas de aproveitar frutas e legumes da época (e como dão óptimas prendas de Natal em tempo de crise)
e sobre as vantagens dos cozidos e grelhados sobre os fritos.
Também ia falar sobre os chefs (verdadeiros artistas que criam
obras de arte para os sentidos quase todos – sim, porque não se sente o sabor
sem cheiro, metade do prazer está em ver a comida bonitinha e ouvir alguém
mastigar com prazer a comida que nós cozinhamos até aquece a alma!) que
inspiram a malta lá de casa, como o Jamie Oliver e as suas refeições de 30 minutos que dão na SICMulher (daí a
necessidade das ementas semanais e da organização da despensa e do
congelador/arca) e a Mafalda Pinto Leite com as suas refeições económicas e rápidas e as suas dicas
para compras, já para não falar do "Garfo Mágico" da Dina e dos seus bolos fenomenais!!!
Ah, e sobre a
necessidade de usar produtos preferencialmente locais, se possível nacionais esempre biológicos, claro! :-)
Como cidadã portuguesa
que incentiva o consumo local e nacional como medida de combate à crise lusa, pensei escrever
sobre as vantagens nutricionais, económicas, ecológicas e sociais de consumir
produtos locais e nacionais.
Nutricionalmente, iria,
por exemplo, referir as vantagens de consumir mel local como medida de combateàs alergias,
as vantagens da cozinha tradicional portuguesa (porque a tradição ainda é o que
era!!!) que, apesar de ter muitos pratos “pesados”, é muito equilibrada e um
bom exemplo de dieta mediterrânica!
Economicamente, iria, por
exemplo, explicar como o nosso dinheiro deve circular no meio onde habitamos e
trabalhamos (género moeda local), para garantir a vitalidade económica dos
meios em que nos inserimos,
e não andar a ser desperdiçado na importação de produtos que são produzidos no
nosso país ou que estão fora de época (que implicam estufas para protecção das
intempéries, gastos com aquecimento e rega, e, muitas vezes, produtos químicos
para protecção contra pragas)…
Ecologicamente, iria, por
exemplo, explicar como polui muito menos um produto produzido localmente (que não viaja de
avião ou de navio dum continente para o outro - qualquer um a funcionar a combustíveis fósseis e a poluir pelo caminho –
e que, para isso ser possível sem se estragar os produtos, são colhidos verdes e amadurecidos artificialmente durante o transporte e, como tal, não
têm metade do sabor – comparem uma banana da América do Sul com uma da Madeira,
mas daquelas que vêm em caixa e não em saco plástico para as grandes
superfícies, porque o dito saco, além de poluir, serve para as amadurecer
artificialmente!!!),
além de permitir uma melhor gestão dos recursos locais e diminuir a
desertificação, os fogos florestais, etc….
Socialmente, iria
dissertar sobre o quão importante é valorizar a comunidade em que nos
inserimos, apoiando os empregos dos nossos vizinhos e amigos, valorizando o seu
trabalho e dignificando a sua vida, além de reforçarmos os laços na comunidade (como é bom ir à
mercearia da Dª Emília e saber que é fruta fresca da horta deles e de
produtores locais que compram todos os dias no mercado, e como o pão-de-forma
integral é cozinhado por encomenda para nós pelo Sr. Fernando da padaria!)…
Como cidadã mundial
ecoconsciente e em transição para a Transição, com a consciência de que a Transição é o caminho a seguir (claro
que, primeiro, as pessoas precisam fazer uma transição interna, mudar a sua
forma de ver as coisas, para que seja mais fácil - e definitivo, sem reversão -
mudar a nossa forma de agir, mas, depois disso, a partilha será o caminho!!!),
e que a Permacultura é a base para a (r)evolução agrícola que nos permitirá, aos poucos, recuperar
as bases da nossa economia e a da nossa sociedade em equilíbrio com a Natureza
e sem desperdício de recursos (começando pelo aproveitamento dos espaços
vazios, como as nossas varandas, terraços e jardins empedrados)! Por
isso pensei escrever sobre como é bom produzir a nossa própria comida, como é
importante aprender sobre as espécies silvestres comestíveis (flores, bagas,
cogumelos, etc.) e suas propriedades terapêuticas, sobre os chás medicinais e
como mastigar folhas de certas plantas podem curar laringites (lá vem a costela
de técnica de saúde), sobre como é possível aproveitar “lixo” para fazer um canteiro, como
é bom poupar água regando as plantas com água das chuvas e “cinzentas” que armazenamos,
e como é fácil fazer compostagem em casa (aproveitando grande parte do lixo
orgânico que produzimos - daquele que não dá para reciclar - e diminuindo drasticamente
a nossa pegada ecológica).
Mas depois comecei a
pensar na pobreza extrema e em quem não tem o que comer…, no desperdício que se
vê por todo o lado (basta pensar que cerca de um terço dos alimentos produzidos
mundialmente vão para o lixo!)…, na tacanhez dos líderes mundiais que pensam
apenas com os bolsos e com uma mentalidade de curto prazo e não se apercebem
que estão dependentes doutros países para a sua própria subsistência e que, em
breve, a situação pode ser incomportável…, em como é impossível comer algo 100%
livre de poluição, pois os químicos dum lado do continente viajam com o vento
para o outro…
Então decidi que não ía
escrever só abrangendo uma vertente da comida, mas sim várias, tantas quantas
pudesse. No entanto, ficaria com um testamento imeeeeeeeeeeeeeeeenso e ninguém
tem pachorra para isso, certo?
Daí o meu dilema…
Mas, agora que vejo o que
escrevi, acho que fica bem assim. Parece-me completo e, ao mesmo tempo, leve. Como
uma boa salada, temperada com um pouco de azeite e mais nada. Bom apetite! :-)
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| imagem retirada daqui |
P.S.: E como aperitivo, que tal darem arroz a quem mais precisa enquanto se divertem aqui?
E há mais formas de ser solidário aqui! ;-)


Olá Sónia
ResponderEliminarAinda bem que não dissertaste sobre esses temas todos, senão teria de esperar pelas férias grandes :)))
Assim, já li, e concordo: está muito bem! Excelente texto que aborda quase tudo o que importa no que respeita a alimentação :)
Não vou esperar pelas férias grandes para ir ver esses "links", mas espero fazê-lo em breve, porque me parece serem muito apelativos!
Beijinhos :)
Muito obrigada linda! :-)
ResponderEliminarE obrigada pela ajuda lá com o Twitter!
Fico à espera que digas alguma coisa depois das visitas aos links, alguns dos quais já conheces! ;-)
Beijos e uma boa semana!
Riquíssimo o teu texto, EXCELENTE! Gostei muito de te ler. Os meus parabéns por conseguires fazer uma abordagem tão clara em tantas perspectivas. Sei que não é fácil. Aliás o difícil é mesmo escrever de uma forma simples aquilo que é complexo. Um privilégio de poucos. Abraço grande e boa semana!
ResponderEliminarTeresa
Li de um fôlego.
ResponderEliminarSenti todos os teus sentimentos e, juro, apeteceu-me chorar pela raiva e impotência do que não faço mas gostaria de fazer.
Obrigado Sónia pela tua lição.
Dizer que está excelente seria vulgarizar.
Cada vez te admiro mais.
Um beijo
Ó Teresa, se há coisa que eu (ainda) não sei fazer é ser sucinta, mas é um trabalho em progresso! :-)
ResponderEliminarMuito obrigada pelos elogios! Sinto-me inchada de orgulho! ;-)
Beijinhos e continuação de bom fim-de-semana!
Manuel... não sei que dizer...
ResponderEliminarFico babada de todo e com um sentimento de dever cumprido por deixar uma alma a pensar!
Muito obrigada pela admiração e pelo "Dizer que está excelente seria vulgarizar.", mas não sou de toda merecedora de tais honras. Muito há que escrevo e não cumpro a 100% e, apesar de trabalhar para melhorar, há sempre mais que posso fazer, incluindo na maneira de escrever.
Mesmo assim, agradeço do fundo do coração (inchadérrimo de orgulho!!!)! :-)
Beijinhos e continuação de bom fim-de-semana!
Sabes Sónia que o que escreves é muito e bom.
ResponderEliminarA 100%, penso eu, nunca consegues porque queres sempre mais.
Gosto muito da tua amizade.
Beijinho
Venho dizer Boa Noite.
ResponderEliminarBoa semana!
Manuel, é tão bom ter um fã incondicional!!! :-)
ResponderEliminarTambém gosto muito da tua amizade e prezo muito o teu apoio. Só lamento andar meia desligada e não conseguir responder aos teus maravilhosos comentários a tempo, mas mais vale tarde que nunca, n'é?!? ;-)
Beijinhos, boa semana e tudo de bom! :-)
Mesmo tarde vem sempre a tempo.
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