quinta-feira, 24 de março de 2011

O caminho certo...

Estava eu numa aula de Filosofia do 10º ano quando tive que ir ao quarto-de-banho.
Quando regressei, o professor perguntou-me a opinião sobre um qualquer assunto que não me lembro, mas que era daqueles género "verdade de La Palisse".
Disse o que sabia estar certo e, para meu espanto, tanto o professor como os meus colegas começaram a argumentar que eu estava errada e que não era assim e afins.
Isto durou tempo suficiente para eu ficar confusa e perder a força da convicção nas minhas palavras, mas o professor (que era um prof. fantástico!!! Já aqui falei dele!) não prolongou mais o assunto e parou o "exercício".
O que aconteceu é que tinham combinado fazer aquilo enquanto eu estava fora, para demonstrar como, mesmo sabendo que estamos certos, a nossa convicção falha perante a pressão dos nossos pares e ainda mais quando inclui quem consideramos mais sabedor.
Desde aí adoptei a máxima: "Fica com a tua, que eu fico com a minha!" Assim deixo de bater no ceguinho e não me chateio mais, mas não abdico do que acho correcto até prova em contrário!!!
[e aqui está mais uma prova que não vale a pena pôr aplicações de tradução aqui no blogue: uso tantas expressões que qualquer estrangeiro incauto poderia considerar-me anti-diferença e a incentivar agressões a pessoas com déficite visual!!!]

Ora já se sabe que, além de ser mulher e ter o chamado "6º sentido" ou "intuição feminina", gosto imenso de puzzles e de teorias de conspiração, o que, convenhamos, é uma mistura completa e absolutamente explosiva!
Por isso mesmo não estranho quando chegamos ao ponto a que chegámos, tanto a nível nacional como internacional, mas passo-me à mesma.

E, quando sei que encontrei a solução, que basta reduzirmos tudo ao essencial e mudar de consumista para produtor, voltar a ter a pirâmide da economia com uma base sólida no sector primário em vez dum pião que cada vez mais perde momento, trabalhar com a Natureza e uns com os outros, aproveitando a ampla riqueza natural do nosso país antes que o queimemos todo, e, quando digo isto, sou olhada como uma maluca que saiu do Magalhães Lemos ou do Sobral Cid (depende da cidade em que estou...), desespero!
Santa paciência, mas ninguém tem olhos na cara, dois dedos de testa ou outro dizer qualquer que signifique conseguir ver as coisas como elas são, sem palas?!?

Claro que, apesar de muitos haver que tentaram minimizar a força do povo português e da manif. de dia 12, (lá nisso tanto a Pronúncia do Norte como o Cirrus Minor têm razão... Nem eu pensei que ainda houvesse tanto português com eles no sítio!), duvido que o Zé Povinho consiga revolucionar o pensamento sozinho. Mas será que há algum político no poleiro, com gravatinha de seda e fatinho Armani, que queira dar o primeiro passo?
Acreditarei nos políticos e nos seus esforços para endireitar a coisa quando os vir a todos de calça de ganga e t-shirt e a não receberem mais dinheiro para ajudas de custo que a maior parte dos portugueses de ordenado, andarem de bicicleta e sentarem o digníssimo traseiro nos bancos dos transportes públicos.
Até lá toca a cortar (mais ainda) nas despesas cá de casa e a procurar um cantinho onde semear legumes, porque isto promete!

P.S.: Quem me quiser ensinar/ajudar a aperfeiçoar a fazer compotas e conservas, a costurar, tricotar e bordar e outras coisas que qualquer dona-de-casa à moda antiga sabe fazer mas hoje se foi perdendo, avise! Eu quero MESMO aprender!!!


 É que homem prevenido vale por 2, mas mulher prevenida vale por 5!!! :-)

8 comentários:

  1. Oh amiga se para acreditar nos políticos é necessário o que dizes, então vai acontecer que nunca mais irás acreditar.
    Eu já os abomino há muito e cada vez mais.
    Espero que apareça uma vassoura.

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  2. Hoje, durante uma viagem para o Porto comentei algo do género do que aqui dizes:
    "- vamos chegar ao ponto em que se quisermos comer vamos ter que plantar... o meu jardim ainda vai é virar horta"

    Tricotar e bordar (ponto cruz) ainda sei fazer... compotas e conservas é que não é a minha praia. :)

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  3. Pois é Manuel, cheira-me que, se acontecer, não será no meu tempo, mas a esperança é a última a morrer!
    Quanto à vassoura, espero que seja daquelas tradicionais de palha "Made in Portugal" mesmo, porque se for das "Made in UE" ou "Made in China", acho que ainda é pior! :-S

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  4. Pronúncia:
    Basta dizer que eu já não consigo olhar para um relvado sem o imaginar cheiinho de alfaces, batatas, tomates, milho, morangos... Então os investimentos do Euro é que davam umas belas dumas hortas comunitárias!!! ;-)

    Quanto às aulas, quando eu aí for acima, prepara as agulhas para me ensinares o tricot e os bordados!!!
    Quando eu aprender os truques das compotas e das conservas na perfeição, partilho! ;-)

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  5. Estava a pensar numa vassoura alentejana, daqueles com que varrem os fornos.

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  6. Boa!!!
    Essa é muito á padeira de Aljubarrota!!!
    Adorei!!! :-D

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  7. Sabes, Sonia, quando fui para o Brasil uma das coisas que estranhava era que as pessoas não tivessem uma hortinha; tinham jardins ou simplesmente relva, mesmo aquelas que não tinham possibilidades económicas; isto aconteceu em 76, ano em que para lá fui; aqui em Portugal, qualquer pessoa que tivesse um quintalzinho lá estava a sua hortinha; com o tempo e com o incentivo da mulher de um governador de S.paulo ao cultivo de hortas, as coisas foram mudando; agora, quando lá vou, já vejo muita gente a plantar umas coisinhas; em contrapartida, aqui deixou de se fazer; quando vou à aldeia onde nasci, fico admirada, pois agora, exceptuando os lavradores, as casas teem belos jardins e nada de hortas; estou a falar de pessoas empregadas nas fábricas texteis que ainda há por lá e cujo dinheiro continua a ser pouco. Penso que esta crise vai fazer com que as pessoas repensem as suas atitudes; foi uma tal abundancia de credito fácil que as mansões na minha aldeia se veem por todos os lados; os carros também; pessoas que, quando eu lá vivia quase passavam fome. Dizem que as crises teem sempre o seu lado bom e esta também o vai ter, pois vai fazer muita gente acabar com o desperdicio e a não gastar mais do que pode; dessas mansões algumas já estão à venda; talvez não estivessem se tivessem construido casinhas confortáveis, mas simples. Quanto a esse tipo de políticos, deve existir, mas não sei onde; penso que não o veremos, mas quem sabe, os nossos netos terão esse prazer? Estes que estão no poleiro e aqueles que terão possibilidade de para lá ir nas próximas eleições não serão capazer de ensinar o nosso povo a economizar; não teem capacidade para isso; infelizmente não se vislumbra ninguém com essas capacidades;se eles não são capazes de viver com menos mordomia, de cortar nos extras que recebem, nos carros e motoristas como serão capazes de ensinar o povo? Ninguém pode dar aquilo que não tem. Precisavam que alguém lhes dissesse para olharem a casa onde vive a chanceler alemã,um apartamento simples em Berlim, com um guarda à porta. Desculpa, Sonia, pelo tamanho do post, mas com certeza já te habituaste aos " testamentos" que eu escrevo nos meus comentários. Um beijinho e um bom fim de semana
    Emília

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  8. Emília, antes de mais eu sou uma fã absoluta de "testamentos", pois é sinal que há muito o que partilhar e é a partilha a ideia deste blogue. Por isso: FORÇA!!! ;-)

    Em relação às hortas e aos jardins. Acho que as pessoas associam "agricultura" a "pobreza" e a "ser antigo/velho", fruto de gerações "presas" no campo na altura da ditadura. Por essa razão, apressaram-se a soltar amarras, fugir para as cidades cortando laços com a terra (incluindo o comer legumes e afins) e com a pobreza (ostentando o máximo que podiam, julgando que "os empregos são para a vida" como eram em tempos idos) e são agora surpreendidas pela falta de misericórdia de quem deu crédito...
    E vêem-se as outras consequências além da pobreza por sobreendividamento: obesidade, alienação e problemas vários por falta de bases familiares!
    Não sei se a mudança de atitude virá rápido, mas terá que vir um dia e espero que ainda seja no tempo dos meus filhos!

    Beijinhos e bom Domingo!

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