sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Água_H2O

Hoje é o Blog Action Day, o dia anual em que bloggers de todo o mundo se juntam para escrever acerca de um tema importantérrimo para a Humanidade e que, este ano, é nada mais nada menos que o recurso mais valioso para a vida na Terra: a ÁGUA.

Todos sabem que 65% de nós é água e que, se não bebermos durante 3 dias, morremos.
Todos sabem que o nosso planeta é chamado “Planeta Azul” porque, visto do espaço, a cor predominante é a azul dos oceanos, mares e lagos.
Mas nem todos sabem dar-lhe a importância devida como factor essencial à Vida na Terra.

Não me refiro apenas à escassez de água potável (que é cada vez menos para cada vez mais pessoas) devido à poluição com que todos os dias conspurcamos os cursos de água (águas residuais, detritos fabris, detergentes para lavar tudo e mais alguma coisa), à displicência com que a vemos ser desperdiçada/desperdiçamos (a evaporar nas fontes a funcionar nas horas de maior calor, a escorrer pelas estradas em vez de regar os jardins a que se destinavam, a lavar carros e passeios sem contenção) em vez de a usarmos para o que é essencial, com conta, peso e medida.
Refiro-me ao facto de, para as populações mais necessitadas (seja nos países mais quentes de África, seja nas populações mais pobres dos países ditos desenvolvidos), a água potável ser matéria de sonhos, pois, com toda a poluição e microorganismos que contém, a água de que dispõem não passa de um meio de satisfazer a sede mas que traz muitas doenças associadas.
Refiro-me também aos conflitos que se geram por causa dela, seja populações vizinhas lutando pelo curso do rio, seja países que imploram a nações vizinhas que abram as comportas das suas barragens para não morrerem de sede e de fome (por seca das colheitas e morte dos animais).
Refiro-me ainda à quantidade de água usada em indústrias várias que é “desviada” dos ecossistemas onde é essencial, pondo em risco habitats inteiros e espécies em vias de extinção.
E refiro-me também a todas as lixeiras, ferros-velhos e aterros que escoam resíduos tóxicos para os lençóis subterrâneos de água e a todo o material que acaba nos rios e no mar e que, ou se acumula em ilhas gigantescas de plástico, ou envenena os habitats e mata espécies várias.

Antigamente, quando se tinha que ir buscar a água à fonte, ela era usada com parcimónia, quanto mais não fosse pelo esforço físico que o seu desperdício acarretava; hoje em dia, com a canalização em casa, não temos noção da água que gastamos quando nos esquecemos de fechar a torneira durante uns segundos, quanto mais quantos litros de água gastamos por dia…
Antigamente, fervia-se a água para tudo, incluindo para beber, com medo das infecções; hoje em dia, não só a água é tratada antes de entrar na rede pública, como a grande maioria opta pela água engarrafada, não tendo noção do desperdício de materiais e recursos, bem como o acréscimo de custos que isso acarreta…
Antigamente, regavam-se os campos por turnos, para que todos usassem esse recurso precioso sem prejuízo de ninguém; hoje em dia, a noção das necessidades alheias esvai-se e só pensamos em ter muita água para nós próprios, sem considerar que o nosso exagero, o nosso desperdício, a nossa poluição pode significar sede para alguém, ou mesmo a morte…

O ser humano é parte integrante de muitos dos ecossistemas da Terra, mas o ciclo da água torna a nossa influência universal, atingindo-os a TODOS, pois a água é um elemento imprescindível em todos eles.
Temos que tomar consciência de quanta água gastamos, de quanta água foi consumida para produzir os bens que consumimos, qual o impacto que a nossa vida, tanto directa, como directamente, tem sobre a salubridade da água, sobre o ciclo da água, sobre toda a Vida na Terra que dela depende.

Antes de abrir a torneira, pense no quanto o seu acto influencia o mundo e seja cuidadoso. Use, mas não abuse!

4 comentários:

  1. Eu sou do tempo em que a água era OH2 e lembro-me, muito bem, da minha avó e minhas tias com os cântaros na cabeça ou balanceados no quadril.
    Tinha, de facto, de ser usada com toda a parcimónia. Era necessário poupar o esforço de quem tinha que a carregar e, também, o precioso liquido.
    Aqueles que nos sucederem vão sentir muito, se não for feito um esforço para conter esta onda de indiferença com que muitos olham para estas causas.
    Felizmente existem muitas "Sónias" para alertar e tentar chamar à razão os mais distraídos.

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  2. Manuel:
    Quantas vezes, em casa dos meus avós, na aldeia, acartei cântaros e jarros escada a cima!
    Era melhor que ginásio, de borla e ensinou-me bem o luxo que é ter água corrente em casa!!!
    O meu problema é que ninguém gosta de "andar para trás", mas é para lá que se vai, a bem ou a mal, e mais valia estarmos preparados.

    Obrigada pela importância que me dá nisto de tentar alertar mentalidades mais alheias, mas duvido que alerte muita gente... Se ao menos acordar uma pessoa, já me sinto feliz!

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  3. Uma já conseguiu, a essa outras se irão seguir.
    Eu, de forma mais modesto, também vou tentando abrir algumas mentalidades.

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  4. Manuel:

    Obrigada!!! :)

    Continuemos os nossos esforços, para que a "luta" não seja inglória.

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