quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Abaixo o relógio!!!

A melhor maneira de ver todos os nossos planos ir por água abaixo é... fazê-los!!!

Tenha-se ou não filhos, tenha-se ou não negócio próprio, tenha-se ou não amigos complicados, tenha-se ou não algum factor caótico na nossa vida, fazer planos é a melhor maneira de os ver cair por terra!!!

Sonhar sim, deve-se ter sonhos e, acima de tudo, tentar agarrá-los com as 2 mãos ou, se necessário for, com unhas e dentes e, como a Miss Onatopp fez ao James Bond, com as pernas, só para termos a certeza que fizemos o possível e o impossível para o concretizar.
Mas planear... Náááááááááááááááá!!!
Fazer planos, bem organizadinhos, certinhos, com pouca margem para erro, só serve para os ver alterados, anulados, deitados para o lixo à espera de susbtituto mais apto, especialmente se implicarem outras pessoas... Por isso mais vale ter uma ideia e improvisar conforme passa o dia, a semana, o mês, sempre com o objectivo final em mente, mas ignorando o facto de andarmos aos Ss até lá chegar...

É o que dá sermos criados como escravos do relógio, do calendário, das agendas, dos compromissos, do que é esperado que façamos na altura que é suposto ser feita, e não sermos educados para a felicidade, para a vida bem vivida e as sensações bem usufruídas, para o deixar 5 minutos entre consultas para respirar e não stressar, para a importância de considerar a nossa felicidade uma necessidade fisiológica que deve ser satisfeita, mais ainda que a fome ou a sede...

Custa-me tanto que os miúdos já tenham horas de entrada e, por vezes, haja pressa de manhã...
Custa-me tanto quando os nossos horários são desleixados por pessoas sem consciência do quanto afectam os outros e quem sofre as consequências é a vida familiar...
Custa-me ainda mais que os miúdos queiram pôr o relógio do papá no pulso ou brincar com o estragado da mamã e o P. diga coisas como "Anda L., já estamos atrasados!"...

Será que quem inventou o relógio, os sábios que engendraram o calendário e os mecos que decidiram impôr prazos arbitrários para tudo na vida sabiam o mal que íam provocar?!?
Se já não há tempo para cheirar as flores e andar descalço na relva, como é que querem que o pessoal tenha consciência ecológica?!?
Se já mal há tempo para passear o cão e fazer festas ao gato, ouvir o piar do piriquito ou apreciar o deslocar lento da tartaruga no terraço, como é que querem que haja respeito pelos animais?!?
E, pior ainda, se já mal há tempo para falar com o senhor da padaria, com o vizinho do lado no elevador, com o pai do amigo do filho na escolinha, como é que querem que se aprenda o respeito mútuo, o lidar com os outros, o ser consciente da nossa vida em sociedade como legos numa construção para um bem maior e não apenas cubos que se encostam e tentam deslizar para o lado quando querem, ignorando as consequências dos seus actos egoístas?!?

Desculpem a divagação, mas é o que dá quando cortamos as correias da escravidão absoluta do relógio e, como os escravos no Brasil enquanto "dançavam" capoeira a pensar na fuga para o Quilombo, nos pomos a pensar em maneiras de escapar desta loucura e doideira todas...

2 comentários:

  1. Como compreendi este magnifico texto e como me deixei embrenhar nesse desfilar, sentido, de revolta pela sujeição a regras e horários.
    Sou o cumulo da pontualidade mas sou anti-horário militante.

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  2. Manuel:
    Mais uma vez, muito obrigada pelos elogios.
    Também sou pontual (passo-me quando me atraso e desculpo-me vezes sem conta), mas completamente anti-horários, por isso pergunto: como nos tornamos militantes?
    Mas veja lá se se paga pouco de quotas, que isto não dá para muito... ;)

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